Onde investir suas economias

sexta-feira, 21 de julho de 2017


- Este post foi escrito pelo meu tio, Guilherme - 

Você já sabe da importância de guardar algum dinheiro e de não se endividar a não ser para comprar algo que vá ter por muito tempo. Então, provavelmente, todo mês tem um valor para investir e em ocasiões especiais (13º, por exemplo) tem uma sobra ainda maior. A dúvida é onde investir, certo?

As melhores opções variam de tempos em tempos e também de pessoa para pessoa. Vou fazer um resumo das alternativas mais conhecidas e do que acho mais indicado agora para quem não sabe onde investir. Vale também para quem já está guardando algum dinheiro, mas não tem certeza se está fazendo a coisa certa.

POUPANÇA | É um dos meios mais fáceis de investir, não precisa ter conta bancária e não tem despesa alguma. Apesar disso, só paga de mês em mês, no "aniversário" do depósito, o que significa que não dá para saber bem o quanto está guardando e pode não render nada, se precisarmos do dinheiro antes do "dia" certo.

OUTRAS APLICAÇÕES BANCÁRIAS |  São os CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou LCI/LCA (Letra de Crédito Imobiliário/ do Agronegócio). Antigamente eram mais populares para valores médios (sei lá, de mil a 10 mil reais, por exemplo), mas hoje raramente são boas opções a menos que você tenha muuuuito dinheiro. Pode consultar no seu banco, de qualquer jeito: tem garantia (assim como poupança) até R$ 250 mil por CPF e tem prazos a partir de 90 dias até vários anos. Acima de dois anos, o Imposto de Renda é menor, assim como qualquer outro investimento (só LCI e LCA são isentos, mas o banco te paga menos por causa disso, e quase nunca é mais vantajoso).

MOEDA ESTRANGEIRA | Tem quem guarde dinheiro comprando dólar, por exemplo. É fácil comprar (tem sites com preço legal que entregam em casa ou no seu trabalho), mas não recomendo, a menos que você vá viajar nos próximos meses e quiser ir comprando aos poucos para não se surpreender com um preço mais alto. Fora disso, tem risco de perda, roubo e de não ser um bom investimento (há sempre uma diferença, que não é pequena, entre o preço que você paga e o que você consegue na troca por reais, se quiser vender).

TESOURO DIRETO | É um investimento que existe há mais de dez anos, mas não deve ser a primeira ou única aplicação de ninguém. Precisa ter conta em banco e numa corretora, e apesar de dizer que aceita desde "trinta reais" por mês, só passa a ser interessante a partir de um valor maior e com expectativa de manter o investimento por mais tempo. Se você já tem algum volume investido que cobre uns seis meses das suas despesas, pode ser uma opção e, nesse caso, eu sugiro que procure na internet como investir no Tesouro Direto. Dicas: tem diversas corretoras com "taxa zero" e uma variedade de produtos que não caberia nesse espaço falar a respeito. 

AÇÕES | Só para quem já juntou bastante dinheiro, gosta de arriscar e conhece um mínimo do assunto. Fora dessas hipóteses é como loteria, tem sempre alguém que ganha, mas a maioria perde. Se você está começando a guardar dinheiro, dá para pensar nisso daqui a alguns anos, quando já tiver uma boa reserva. Sempre haverá boas oportunidades, como dizem os especialistas (haha).

Você já deve estar pensando que esse post, que deveria servir para ajudar você dizendo onde investir, não serve para nada, certo? Todos os investimentos têm defeitos? É melhor gastar do que guardar? Duas perguntas, duas respostas: 1) Todos os investimentos (todos, lembre dessa palavra) têm riscos e desvantagens, mas cada momento e cada país possui os produtos mais populares e há razões para isso. 2) Apesar dos riscos, guardar é sempre bom, pelo menos enquanto é jovem e pode adiar aquela viagem, aquela jaqueta, aquela balada mais cara. Se você e um colega começam a ganhar a mesma coisa na mesma idade, mas se por dez anos você guarda 20% e ele não guarda nada, talvez ele nunca te alcance, e você tenha uma vida mais tranquila que a dele. 

FUNDOS DE INVESTIMENTO | Hoje, a alternativa que faz mais sucesso no Brasil atende pelo nome de "fundo de investimento": é um pool de dinheiro administrado por uma instituição financeira e gerido para atingir um certo objetivo. Há mais de 15.000 fundos no Brasil, com milhões de investidores e trilhões de reais investidos. A maior parte está investida em títulos do governo, mas também há títulos privados (bancos e grandes empresas), ações, moedas, etc. Eu recomendo você começar pelos fundos mais simples, de renda fixa e referenciados DI (é um jargão do mercado, mas não tem nada de assustador: esse tipo de fundo só tem rendimento positivo, relacionado com a taxa de juros do Banco Central). Todos os bancos, corretoras e plataformas de investimento oferecem diversas alternativas, sendo obrigados a declarar o grau de risco deles, que é baixo para esse tipo de fundo. Compare entre diversas instituições e escolha um que tenha algo a ver com o seu investimento inicial e o quanto você tem ideia de depositar a cada mês. Tem opções a partir de R$ 50 ou R$ 100, mas escolha a que cobra a menor taxa de administração (essa informação é fácil de achar e está em destaque na chamada "lâmina" do fundo).

Atenção 1- as taxas de administração variam muito; fique esperto: no começo de 2017, para os fundos dos cinco maiores bancos do Brasil que exigiam R$ 1.000 ou menos para começar, as taxas variavam de 1,5% até 3,9% ao ano. A diferença do mais "barato" (que, ainda sim, também era caro) para o mais caro era de 2,4% ao ano, ou seja, diferença de R$ 240 para cada R$ 10.000 investidos!

Atenção 2- há muitos outros tipos de fundos, como multimercados, de ações, estruturados e planos de aposentadoria (PGBL, VGBL). Comece com os de renda fixa referenciada mesmo e só depois de juntar algum dinheiro pense em outro tipo. A maior parte dos investidores nunca passa dos multimercados (o segundo mais popular), pois as diferenças de rentabilidade nem sempre compensam o desconforto de alguns investidores com "oscilações" do mercado. Os planos de aposentadoria, assim como as LCI e LCA, oferecem uma tributação diferenciada, mas que muitas vezes é capturada pela instituição financeira, que cobra uma taxa de administração maior.

Atenção 3: RE$UMO - relendo esse texto eu reparei que não falei muito de rentabilidade, exceto no caso das taxas de administração (que faz diferença!) e de alguns produtos com tributação diferenciada, mas que nem sempre significam uma vantagem real ao aplicador. Isso tem uma razão, além da falta de espaço: para quem está começando a investir, o mais importante é o quanto consegue guardar comparativamente ao seu salário, e não o quanto vai render. Se você conseguir guardar um pouco todo mês que chega a R$ 10.000 no ano (ótimo para quem está começando!), você vai ter, ao final de 12 meses, de R$ 10.200 a R$ 10.600, por exemplo. Óbvio que R$ 600 é o triplo de R$ 200, mas o mais importante é ter guardado R$ 10.000. Aprendendo a guardar, dá para ir para a segunda lição, que é fazer as economias renderem mais. Depois virão outras lições, cada vez mais interessantes, até chegar ao post mais legal de todos, que é o de ensinar a gastar, se você já tiver esquecido. 

Bem, acho que por hoje chega, já falei de muitas coisas. Para saber mais, procure dicas de "educação financeira" nos sites da CVM, do Banco Central, da ANBIMA e de outras entidades de classe. Leia com atenção e se informe antes de qualquer decisão. E boa sorte com os investimentos!

Guilherme é formado em Engenharia e tem mestrado em Finanças. Tem um blog onde posta resenhas de livros, o GuilhermeLê.

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